29.6.09

cinzas

O dia adivinhava-se cinzento, e assim foi.
As nuvens ameaçadoras não abalaram, porém, o meu estado de alma,
Que está hoje muito calmo, duma subtileza impressionante.
Mas, então, eis que surge alguém que eu pressenti que iria encontrar, mas que não queria encontrar, que não esperava encontrar.
Ah, és-me quase nada, e eu não gosto de ti.
Eu não gosto de ti, não.

O que acontece quando se dá de caras com uma previsão?
Uma previsão absurda, que não irá levar a lado algum.

Oh, farias mais sentido para mim se fumasses uma caixa de Marlboro Light todos os dias,
Se te misturasses com toda a gente no meio da multidão,
Se fosses fácil de encontrar à noite, num bar conhecido, a abarrotar de gente,
Um bar onde já te procurei numa noite, sem sucesso,
Naquela noite em que eu ainda pensava que te queria.
Farias mais sentido para mim se todas as peças da tua alma concordassem entre si,
Se estivessem mais encaixadas umas nas outras.
Mas tu és apenas um conjunto de fragmentos soltos;
Um enganador.
Tens um corpo proporcional, quase-perfeito,
Mas não sabes sentir, e não sabes mentir-me.

Não me és nada e eu não te quero,
Já não te quero,
Porque só te tive uma vez.

21.6.09

Dia mais não que sim

Há uma euforia esquisita no ar.
As pessoas são como abutres,
Animais que invadem as praças,
Tirando tudo aquilo que eu quero do seu lugar.

Há muitos lugares para uma única coisa,
E há muitas coisas em muitos lugares,
Mas existem coisas e coisas, sítios e sítios.

Que afronta,
Que ultraje,
Que coincidência absurda!

Eu gostava de ser um pouco menos comum,
Gostava que me brilhassem os olhos de avidez,
Mais do que habitual...
Gostava de sentir o meu coração,
Qualquer leve movimento, ou pancada,
Quando te vejo passar nas ruas, sozinho.

Mas hoje o Mundo não foi feito para mim,
É um outro lugar,
Ávido de algo que eu quero muito alcançar.

18.6.09

Terra de ninguém

Ah, eu encontrei um lugar onde posso ficar calada,
Onde o silêncio onde as pessoas murmuram é ensurdecedor.
Encontrei uma paisagem paradisíaca, num ambiente agreste,
Um reino onde quem fala é o mais sofredor,
Porque o respeito pelas palavras esvaiu-se dos corações,
Para dar lugar ao Medo, que tamborila, como quem tem longos dedos,
Por entre o desgaste, e as repressões.
 
 
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