18.11.09

A Força


Descobri que habita em mim uma força. Uma força que me faz ser capaz de tudo, ao invés do que às vezes dou por mim a pensar. Amanhã vou ser forte, vou conseguir fazer tudo aquilo a que me propus, e depois de amanhã, e daqui a dois dias também. Sempre.


Oh, tenho saudades de ti, ó mar. Consigo alcançar tudo!


12.11.09

viver sempre cansa.

Não sei o que me está a acontecer. É como se o mundo fosse toda uma bola de massa cinzenta indistinta, que não me presta a mínima atenção, e eu uma figura sozinha no meio de toda a minha própria incompreensão e perplexidade. O cinzento está a voltar, em passadas largas, e está a crescer em mim uma tão grande sonolência de viver que não consigo impedir a sua vinda.
As pessoas que outrora estavam comigo, que riam comigo, estão lentamente, dentro da minha cabeça, a juntar-se à massa indistinta e eu, na minha irritante e perversa passividade, não estou a conseguir fazer nada para as deter. É como se eu estivesse a viver a vida de outra pessoa, mas tão alheia à minha própria realidade que não consigo distinguir-me da paisagem circundante. Os meus pensamentos são turvos, e até tu, que costumavas ser o meu espectro da salvação, se me afiguras indefinido. Porém, de entre todas as imagens indistintas, és aquela que mais quero recordar. Preciso de ti para me lembrar de quem sou, porque já nada me resta senão a esperança de encontrar o teu refulgente azul uma vez mais. Meu amor, por favor, não me deixes tu também.
Faz muito frio dentro de mim e eu já não me reconheço. Acho que estou apenas cansada. Todos os meus sonhos estão congelados dentro de uma caixa que eu não consigo alcançar e todas as minhas esperanças brotam de dentro da minha pele como um pedido de socorro. Se não estiveres aí, sei que o mundo vai ruir, e os destroços vão ser tão evidentes que não haverá nunca possibilidade de reconstrução.

7.11.09

reflexão bizarra I

O que há na carteira de uma pessoa feliz?
Fotografias sorridentes, talvez pequenos bilhetes escritos à mão entre as moedas, talvez, até, pequenas cartas de amor dobradas e amachucadas entre os cartões multibanco.
Dezenas de bilhetes de cinema guardados num bolso especial, um convite de um amigo, conchas encontradas à beira-mar.
Caixas de pastilhas elásticas vazias, papéis que outrora embrulharam chocolates com recheio de avelãs inteiras, talvez chupa-chupas vermelhos em forma de coração.

Talvez, até, não encontremos nada disto na carteira de alguém feliz.
Talvez encontremos muito mais coisas.
Talvez encontremos objectos bizarros.
Talvez só algumas moedas.
Talvez.

23.10.09

Contemplo

Quando me habituo à normalidade de não te ter comigo, eis que surges e apareces para mim, qual espectro encantador. Consigo quase distinguir a tua forma em frente da minha, os teus olhos pousados em mim, e eu pasmo nessa doce contemplação. E, então, é como se não existisse mundo lá fora, é como se fosse só eu e a tua imagem reflectida, é como se só existíssemos nós.
Mas, depois, desapareces subitamente e eu fico novamente só, tão só, sem ti. Daqui só consigo depreender que és vida. Respiro-te, mesmo longe, e vou desistir de tentar tocar-te, porque sei que me sentes, de alguma maneira.

Hei-de alcançar-te.

11.10.09

Sono Leve

O tédio foi-se desvanecendo. Eu quase deixei de sentir. Estou agora num estado semi-hipnótico, quase que não sinto nada. Lembro-me mais de ti do que gostaria, e sinto-te - deveras - debaixo da minha pele, como acontece sempre. Mas estou num estado em que não me é permitido pensar demasiado. Pensar demais dói demais. Fui criando sistemas de retenção de pensamentos. Os pensamentos, hoje, não fluíram muito, apenas se mantiveram num estado primitivo. Deveria ser sempre assim, penso eu. Porém, sei que isso não vai acontecer. Não sou tão superficial assim. Aliás, hoje, quase não me reconheço. E é bom. É bom não me reconhecer; é bom não pensar demais, é bom não me doer cada dia da tua ausência constante.
Amanhã, vou sentir a tua falta, quando regressar ao mar de gente que abomino apenas porque tu nunca te encontras nele. E vou querer que regresses, desesperadamente. E vou afundar-me novamente. E o meu coração vai adormecer por mais umas horas, quando me aperceber de que não virás.
Recordo agora o último bater do meu coração desnorteado: foi quando te vi caminhar para longe de mim, quando deixei - estupidamente - que partisses.
 
 
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