4.2.10

compensação

amo-te tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto,
talvez mais do que o céu azul num sábado de manhã, espelhado no chão do meu quarto.

ah, porquê a mim?
se é um privilégio poder sonhar-te,
porque fui eu contemplada com tão doce prémio?

2.2.10





o meu maior medo é vir a esquecer-me da tua voz.

1.2.10

quem sou eu, outra vez.


Meu Deus, meu Deus, a quem assisto? Quantos sou? Quem é eu? O que é este intervalo que há entre mim e mim?


Fernando Pessoa

30.1.10

Quote


Fazia parte da secção "O Coração na Mão", e era uma história supostamente verídica sobre a primeira estada em Paris do jovem Rainer Maria Rilke:


O poeta costumava passear - acompanhado de uma rapariga - por uma praça onde costumava estar uma mendiga com a mão estendida. A mulher estava sempre sentada no mesmo sítio, sem olhar para os trausentes nem lhes implorar uma esmola, e também não agradecia quando recebia algum donativo. Embora a sua amiga lhe desse muitas vezes uma moeda, Rilke nunca dava esmola à mulher. Uma vez, a jovem perguntou ao poeta porque é que ele não lhe dava nada, ao que este respondeu:

- É o coração dela que precisa de uma prenda, não a sua mão.

Dias depois, Rilke depositou uma rosa na mão gretada da mendiga. Então aconteceu algo inesperado: a mulher levantou o olhar, e, depois de beijar efusivamente a mão do poeta, saiu do lugar brandindo a rosa. O canto da mendiga permaneceu vazio durante uma semana inteira, após a qual voltou a ser ocupado:

- Mas, do que é que ela viveu todos estes dias, se não esteve na praça a pedir? - perguntou a rapariga.

Ao que Rilke respondeu:

- Da rosa.



Amor em Minúsculas, Francesc Miralles, Contraponto, p. 234

25.1.10

é esta a forma do meu coração.

Olá, meu amor.
Como vão os teus dias?
A que sonhos tens aspirado, sem mim?
Com que ternuras me recordas, ao fim de tanto tempo?

Porque te deixei eu, novamente, partir, sem mim, para essa terra de ninguém
Que nunca te conhecerá.
Nem tu, porventura, a conheces ainda,
Mas os segredos que encerras são, todavia, mais profundos.

Os teus segredos sei-os bem
Aqueles que ficaram sempre junto de mim,
Aqueles que eu nunca ousei, sequer, murmurar.

Pois o meu coração encontra-se fechado às tuas ordens
E, dentro dele, jazem os teus sonhos, as tuas vontades,
O teu próprio sangue.

 
 
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