Um cão invulgar
Apareceu às portas da cidade.
As pessoas fugiram, correndo,
Brandindo pedras e atirando insultos ao pobre animal
Apenas porque ele era azul.
E quando um doce rapaz
Veio, enfim, socorrê-lo
Trazendo-o nos braços pelas ruas
As pessoas fugiram, mais uma vez
E nunca mais falaram ao pobre rapaz
Apenas porque ele foi capaz de distinguir
O azul do cinzento
E porque achou mais bonito este primeiro.
(Aprecio muito todos os comentários, obrigada.)
21.1.10
poderia fazer parte da banda sonora da minha vida

When I see myself I'm seeing you too
As long as I remember and I'm feeling like I knew
That my jokes aren't funny, the truth isn't true
If there was no you
(...)
Out on your way the darkest night the longest day
I know what to say to make you laugh
And nothing you could do
Could make me turn my back on you.
If There Was No You, Brandi Carlile.
18.1.10
Oito versos, oito meses.
E aqui estou eu, mais uma vez,
A contemplar-te no meu pensamento.
Soas-me hoje estranhamente distante,
Vislumbro cansaço na ruga que te franze a testa
Como se uma nuvem cinzenta te cobrisse
O rosto, esses olhos brilhantes
Que normalmente iluminam a noite mais escura.
Quem me dera saber onde estás agora.
Mais uma vez, consigo recordar cada pormenor teu,
O teu sorriso, o teu cabelo ao vento, os teus olhos fixados em mim.
Consigo ouvir a tua voz num eco dentro da minha cabeça,
E consigo quase sentir o teu toque, imaginar o que dirias neste momento.
Deliro com pensamentos turvos, mil palavras encravadas no meu peito.
Olho à minha volta, ninguém está a observar-me,
Mas eu observo todos, à tua procura, procuro alguém que se assemelhe a ti,
Ainda que vagamente... mas não há, não pode haver ninguém igual a ti.
Sinto a tua falta agora mais do que nunca,
Todos os dias mais,
Todos os dias mais delirantemente.
Quero perceber que preocupação é essa que trazes hoje contigo,
Que impede que os teus olhos brilhem para mim.
Quero perceber onde estás, o que fazes, o que olhas,
O que respiras.
Porque eu hoje só consigo respirar-te a ti, pensar em ti, olhar-te a ti.
A contemplar-te no meu pensamento.
Soas-me hoje estranhamente distante,
Vislumbro cansaço na ruga que te franze a testa
Como se uma nuvem cinzenta te cobrisse
O rosto, esses olhos brilhantes
Que normalmente iluminam a noite mais escura.
Quem me dera saber onde estás agora.
Mais uma vez, consigo recordar cada pormenor teu,
O teu sorriso, o teu cabelo ao vento, os teus olhos fixados em mim.
Consigo ouvir a tua voz num eco dentro da minha cabeça,
E consigo quase sentir o teu toque, imaginar o que dirias neste momento.
Deliro com pensamentos turvos, mil palavras encravadas no meu peito.
Olho à minha volta, ninguém está a observar-me,
Mas eu observo todos, à tua procura, procuro alguém que se assemelhe a ti,
Ainda que vagamente... mas não há, não pode haver ninguém igual a ti.
Sinto a tua falta agora mais do que nunca,
Todos os dias mais,
Todos os dias mais delirantemente.
Quero perceber que preocupação é essa que trazes hoje contigo,
Que impede que os teus olhos brilhem para mim.
Quero perceber onde estás, o que fazes, o que olhas,
O que respiras.
Porque eu hoje só consigo respirar-te a ti, pensar em ti, olhar-te a ti.
12.1.10
Prefiro rosas

Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.
Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.
Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outra vença,
Se a aurora raia sempre,
Se cada ano com a Primavera
As folhas aparecem
E com o Outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?
Nada, salvo o desejo de indif 'rença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.
Ricardo Reis, in Odes, Ed. Ática
10.1.10
as tuas palavras
E foi assim que a história começou,
Tu roubaste a minha tristeza e a minha dor,
Só com palavras e com promessas.
Palavras e promessas,
Palavras e promessas.
Os dias e os meses foram passando,
E as tuas palavras estiveram sempre comigo.
E mesmo agora, passado mesmo muito tempo,
Consigo ir ao fundo da minha memória buscar todos os pedaços quebrados de palavras
Que aconchegaram o meu coração, e que por lá se deixaram ficar.
E é nelas que ainda penso quando
O mundo se torna pesado demais para que eu o possa carregar nos meus ombros
É a essas palavras que ainda vou buscar a minha força, a minha coragem...
Porque o Mundo sem palavras é cruel, é mau.
Porque o Mundo sem as tuas palavras é irrespirável, meu amor.
Tu roubaste a minha tristeza e a minha dor,
Só com palavras e com promessas.
Palavras e promessas,
Palavras e promessas.
Os dias e os meses foram passando,
E as tuas palavras estiveram sempre comigo.
E mesmo agora, passado mesmo muito tempo,
Consigo ir ao fundo da minha memória buscar todos os pedaços quebrados de palavras
Que aconchegaram o meu coração, e que por lá se deixaram ficar.
E é nelas que ainda penso quando
O mundo se torna pesado demais para que eu o possa carregar nos meus ombros
É a essas palavras que ainda vou buscar a minha força, a minha coragem...
Porque o Mundo sem palavras é cruel, é mau.
Porque o Mundo sem as tuas palavras é irrespirável, meu amor.
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